Nos últimos dias têm feito um calor infernal em São Paulo, todos os dias, todas as noites, dando a impressão que não temos mais as estações intermediárias, só inverno ou verão. Ou seja, o chuveiro sempre esteve certo.
E neste clima que me causa certo mal estar que parece que tenho vivido dentro de um filme (ou seriado) ao qual assisti há algum tempo. Nele, um rapaz que se recusa a dar esmola a uma cigana recebe uma maldição. Eu sinto que estou vivendo a mesma maldição. Que faz com que todos com que ele cruze o odeiem. Não consigo explicar isso. Talvez já acontecesse isso e eu não percebesse. Mas não consigo mesmo explicar, seja no trabalho pessoas gritando e reclamando comigo de coisas das quais não posso ter nenhum controle ou culpa. Ou gente que mal conheço me xingando gratuitamente, sem eu saber o motivo e sem eu receber nenhuma explicação. Isso me afeta a ponto de eu voltar a me questionar, que, se eu sumir, vão sentir minha falta? Será que vou virar igual àquela velhinha cujo cadáver somente descobriram cinco anos após a morte, em seu próprio apartamento, e que ninguém reparou que tinha morrido?
(*) Gary And The Pacemakers

. Na verdade, sorte que estamos na época da mostra internacional de cinema, pude ao menos me distrair assitindo a uns filmes obscuros (Aliás, assisti um chamado “Independência”, filipino, muito elogiado pela crítica. Sessão lotada. Mas…. Pegadinha do Mallandro! Muito abstrato! A melhor coisa foi no final do filme, todos em silêncio com cara de WTF?!).