Esta cidade tem quantas pessoas mesmo? Acho que estamos agora em 16 milhões de habitantes. Gente pra caramba.
Mas neste final de semana, não sei bem por que, me senti muito, mas muito só. Meus pais como sempre viajam no feriado de finados. Fiquei sozinho em casa com meus cães e minha cachorrinha doente. Num cenário desolador. Minha casa toda fechada, escura, e minha cadelinha nos seus últimos suspiros. Sei que tinha planejado passar o feriado estudando e dando um gás em minha dissertação, mas minha cabeça auto sabotadora e todo o ambiente de tristeza me fizeram fazer o que sempre faço quando minha mente está nesta situação… Fui pro cinema. Pra tentar esquecer. Mas foi difícil.
Aproveitei a época do ano, e pelo segundo ano consecutivo, fiz minha maratona particular de filmes na Mostra Internacional de cinema. No total consegui assistir só 12, bem aquém de minha meta particular de 20. E neste mesmo cenário de muitas pessoas, mesmo num feriado, me senti cada vez mais só, mais isolado do mundo e de todos. Uma ilha num mar de indies e moderninhos. Aproveitei para passear pela cidade entre um filme e outro, correndo pela rua Augusta pra não perder o filme, andando a Paulista toda à noite só pra passar o tempo, comendo biscoito de polvilho contra o vento.
Mas esta solidão, tão presente nos meus dias no Rio e em Paris, é muito mais desconfortável. Imensa sensação de vazio e impotência. Mas tudo culpa de minha auto sabotagem. Porque meus amigos me convidaram pra viajar. E eu preferi ficar sozinho.
(*) Jacques Dutronc 1965

. Na verdade, sorte que estamos na época da mostra internacional de cinema, pude ao menos me distrair assitindo a uns filmes obscuros (Aliás, assisti um chamado “Independência”, filipino, muito elogiado pela crítica. Sessão lotada. Mas…. Pegadinha do Mallandro! Muito abstrato! A melhor coisa foi no final do filme, todos em silêncio com cara de WTF?!).