E eu tenho uma amiga que trabalhou comigo há algum tempo. Eu sempre tive muita admiração por ela, ela é uma das pessoas que eu conheço que mais entende de UNIX, tinha muito conhecimento técnico, e na empresa que trabalhávamos ela acabou entrando no departamento comercial (o que eu sempre achei um desperdício de potencial. Eu fiz o maior esforço pra trazê-la pra minha área de projetos, o que sempre foi negado pela diretoria, pra vocês verem que eu era muuuuito respeitado.) E admiro-a mais ainda pelas dificuldades que eu a vi passar, de uma hora para outra, e contando com a insensibilidade total de sua chefia. Uma pena, pois isso fez ela pegar um enorme desgosto pela carreira de tecnologia, além de abalar enormemente sua auto-estima.
Mas nunca perdemos contato. Até fui em seu casamento. Sei que ela sofreu muito, pois ela possui enormes problemas de relacionamento com a mãe, que praticamente a expulsou de casa e nem a seu casamento foi. Pois há algumas semanas marcamos para nos encontrar, pra contar as novidades, trocar figurinhas, me apresentar às amigas. Ela pra variar estava insatisfeita com a carreira em tecnologia (Como um dia já fiquei) e está prestes a prestar vestibular para a carreira de saúde. Bom, até fico feliz por ela. Mas o que mais me surpreendeu no nosso papo, é que ela se tornou totalmente mística, com altos papos de karma, chakras e espíritos. Deixou a vida de psyzêra (sim, ela adorava aquele putz-putz-putz de psy-trance), abandonou as raves (que ela prometera me levar um dia, olhe só. Vou ter que esperar por outra oportunidade), e está numa vibe “achei o meu eu interior”. Bom vê-la feliz, de bem consigo mesma, pois sei que os problemas que ela passou foram meio barra pesada, mas como sempre eu me assusto com as pessoas. Não que eu não respeite. Respeito absolutamente todas as visões religiosas, sem nenhum preconceito, até por causa de minha (falta de) fé. Adepta do Shamanismo, nos encontros que ela freqüenta todos os fins de semana, ela se abre aos espíritos com o poderoso Ayhuasca, aquele velho chá do Santo Daime e recebe a iluminação, as respostas espirituais sobre tudo que a aflige. Pra variar, ela me convidou, ainda mais sabendo de minha atual situação de sensibilidade. Recriminou-me por consultar a dotôra, e que teria melhores resultados lá. Engraçado que para tudo ela tem uma explicação mística, justificada por visões e contatos espirituais extra corpo. Bom, não que eu não acredite, mas acho que iria lá mais pelo “barato”, sabe? Não que eu já tenha tomado alguma coisa desse tipo, mas uma justificativa religiosa abrandaria as coisas. Acontece que recusei por enquanto. Não posso me iniciar numa coisa destas, se eu não tenho o ingrediente principal…. fé…
(*) 13th Floor Elevators – Fire Engine – 1966

Eu também me assusto com pessoas muito religiosas. Me assusta o fato de pessoas deixarem tudo na mão de Deus, ou de outra entidade espiritual e acharem que qualquer fracasso ou sucesso é vontade divina. Como se a gente não se esforçasse para nada. Eu tenho fé, uma fé particular, mas sou avessa à igrejas ( as instituições, pois eu adoro igrejas, acho lindas!). Não gosto das doutrinações. Prefiro rezar em casa mesmo.
Beijos
Por: Marion em Agosto 19, 2008
às 08:00
Olha… Quando eu passei pela pior situação da minha vida, eu voltei a ser católica. É um lance muito meu, fiz por mim e encontrei conforto. Acontece. Na hora da dor é muito comum ir buscar ajuda religiosa. Não acredito que seja necessário buscar uma religião pra isso. Cada um faz do seu jeito. Quanto a psi, discordo da sua amiga porque, pra mim, foi fundamental ir pro psi. A religião me trouxe conforto, mas não me explicou nada. Quem me explica sou eu mesma, guiada pelo psi. Mas, de novo, é o que funciona pra mim. Pra sua amiga funciona outra coisa, etc, etc. A gente fica meio nessa quando “se encontra”, querendo partilhar com os outros, então entendo o convite dela. Feito dos melhores sentimentos do mundo, pode ter certeza. Já tive amigas que ficaram no meu pé pr’eu fazer análise e eu não queria, recusei por anos e fui porque eu quis. Tem que ser assim: porque a gente quer. Tudo né? Só assim a experiência vale.
Beijo.
Por: Camille em Agosto 19, 2008
às 09:24
Marion, eu sempre respeito muito mesmo (bem, na verdade tento não ligar muito). Até acho interessante uma doutrina baseada em aditivos alucinógenos, mas acho que não tenho toda esta espiritualidade que por exemplo minha amiga tem pra fica deslumbrado com a coisa. E eu já rezei muito na vida, mas sei lá, não sei se encontro sentido disso algum dia.
Camille, sabe que eu te admiro muito por isso, por ter uma fé depois de ter passado por uma fase muito ruim. Eu não sei se tenho força pra tanto, acho que só com o tempo e experiência a gente “se encontra”. Qto à dotora, o que é estranho é que SEMPRE me pressionaram, namorada, irmã, Mãe, e eu nunca ia. Só fui porque quis mesmo e porque achei que precisava. Mas sabe que ainda não contei pra ninguém, só por aqui mesmo eu falo destas coisas?
Beijinhos!
Por: Tak em Agosto 25, 2008
às 20:59