It Just can´t stop, The World Keeps Going Round (*)

O marasmo foi quebrado um pouco nos últimos dias, pois agora tenho que me adequar à uma rotina pois voltei ao mercado de trabalho, trabalhando na região geográfica mais insana da grande SP. Em Alphaville é tudo grande e planejado, mas ninguém planejava que o fluxo de gente que vem pra cá seria tão grande, a ponto de congestionar uma rodovia inteira. Bom, agora tenho que pagar até pedágio pra ir pro trabalho, mas não é algo muito inédito, já que quando trabalhava no Rio eu pagava pedágio na Linha Amarela. Pra pegar menos trânsito e pelo menos tentar ter uma qualidade de vida melho, eu passo alguns dias da semana em minha antiga casa. Já providenciei até conexão de banda larga novamente, talvez a minha única exigência pra morar em algum lugar. Tendo internet rápida, eu dispenso até cama e banho quente, não que ainda não tenha isso lá. Isso é bom, pois pelo menos fica alguém por lá enquanto não vendemos a casa.

Enquanto isso em meio a esta agitação, eu não tenho feito mais nada de últil. Estou para marcar minha defesa, já nem me preocupo muito mais com ela, só tenho medo de minha professora desistir de esperar e não aceitar mais ser minha orientadora. Nem todo mundo ainda de minha turma defendeu, na verdade, menos da metade. Isso é o que me conforta por enquanto.

Não tenho feito nada das coisas que eu costumava gostar. Não tenho ido no cinema, não tenho ido na Santa Ifigênia, nem ido passear pelo centro. Essa época do ano eu fico meio de bode, e se não fosse ter que sair pra trabalhar, acho que eu ficaria o dia inteiro na cama, como aconteceu nas semanas anteriores à minha contratação. Eu só saia pra passear com o cachorro ou para uma ou outra entrevista. E pras aulas de francês. Simplesmente me sentia um inútil.

Não que eu me sinta muito útil agora…

(*) Kinks – 1965

And here I sit the retired writer in the sun (*)

Tentando um projeto novo por aqui. Tenho estado relapso, não só com este espaço, mas com tudo em minha vida. Tenho me auto-sabotado muito, meus projetos estão todos parados, muito por causa deste meu emprego que me tira todo o ânimo, da dissertação que está estacionada, mesmo faltando tão pouco pra terminar. Ainda não falei com minha orientadora, mas tenho medo que ela tenha desistido de mim, e que eu não consiga outro professor e seja jubilado. E ela tem sido a desculpa para eu deixar de fazer as outras coisas, acho que por me sentir culpado de não estar dando a ela a devida atenção.

Vou tentar então me disciplinar, e tentar fazer uma postagem por dia, tentar criar uma rotina, pra que eu também tenha o ânimo de terminar logo meu texto e não enlouquecer. Será que consigo? Esperero que sim, que eu consiga resgatar o ânimo que eu tinha quando era mais novo e era bem mais disciplinado comigo mesmo. E tentar desenroscar minha escrita. Cada dia que passa eu sinto que tenho cada vez mais dificuldades para escrever ou mesmo colocar minhas idéias em palavras. É a idade. Alzheimer bate à minha porta. One post a day, lá vamos nós, como diria a bruxa voadora do Pica-Pau.

(*) Donovan – Writer In The Sun – 1967

No Surprises

Eu só queria terminar logo meu texto da dissertação e me ver livre deste trabalho aqui.

Minha vida só começa depois disso.

Vou poder escrever mais aqui.

Vou poder tentar ser mais feliz.

Ou menos infeliz.

Le monde entier est un cactus …(*)

moz-screenshot

Não me tem sobrado tempo nenhum para escrever neste espaço. Bem que eu tento, mas as coisas aqui no trabalho continuam um Kinder Ovo. Uma surpresa nova todo dia. Sem contar todas as coisas que eu tenho pendente. Além disso, que delícia, acho que passarei a madrugada trabalhando. Nada que eu já não esteja acostumado.
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E minha dissertação continua no mesmo ponto. Não consigo sentar e me concentrar, sendo que tem muita coisa me acometendo ao mesmo tempo. E por isso fico mais desesperado e não consigo me concentrar. E tudo vai virando uma bola de neve, e no final o tempo vai passando e eu nada fiz. Pelo menos alteraram meu prazo pra final de abril.
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E o carnaval passou e muito depressa. Não fiz absolutamente nada por conta do calor que fez em São Paulo. Milagrosamente, não choveu em nenhum dos dias do carnaval, o que significou que os dias e as noites foram extremamente quentes. Nestas condições, fiquei me refrescando em frente ao ventilador assistiando às Olimpíadas de Inverno. Pelo menos vendo tanta neve, a gente não sente tanto calor. Mas esse feriado me senti um completo inútil. Nenhuma linha escrita, nenhum livro lido, nenhum filme visto. Tenho medo que eu me acostume com isso.
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E fail total o WordPress. Nunca falhou, falha justo quanto tento atualizar. Acho que isso merece um registro. Eu tentei usar o WordPress quando ele esteve fora do ar.

(*) Jacques Dutronc – Les cactus (1966)

If it wasn´t for bad luck…

Chove, e muito, ininterruptamente, nesta cidade. Não me lembrava de períodos tão chuvosos por aqui. Alguns dias faz muito calor, mas sempre ela, a chuva, aparece. Não aguento mais não.

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Por aqui ando não fazendo minha dissertação, cujo prazo vence neste mês e cuja prorrogação tenho que fazer esta semana, para março, o prazo final do MEC. Não sei, perdi totalmente a inspiração. e às vezes penso se valeu a pena ter investido tanto tempo e dinheiro neste mestrado que a princípio não me trará retorno nenhum. A menos que eu comece a lecionar, o que eu realmente não estou nem um pouco a fim.

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E eu fui finalmente assistir Avatar. Filminho bobinho. Mesmo em 3D. Acho que já passei da idade de curtir estes filmes. E sem contar no público. Cada dia que passa acho que estou me tornando mais anti-social. Não estou suportando gente (isso também contribui pra que eu desista de lecionar). As pessoas me irritam, e me irritam só por existirem. Obviamente isto é menos problemas com elas e mais problemas de minha cabeça dura, mas acho que não é errado me irritar com  pessoas que tentam furar a fila gigantesca, que falam alto durante o filme, passam na sua frente e ficam em pé procurando lugar. Bom, é uma generalização, mas eu estou é cansado mesmo de conviver com gente em geral. Aliás, na fila, as pessoas passavam e perguntavam pra que filme era a fila. Vontade de dizer “É pros Mistérios de Feiurinha.. Em 3D!”. Mas eu me livre deste incômodo fazendo mais uma experiência social. Na aproximação de qualquer pessoa se dirigindo em minha direção, só fiz a minha pior cara de bravo. E ninguém mais me perguntou nada. Bom, já comprovei o sucesso desta técnica no meu trabalho. Funciona muito bem.

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Ah, estou aprendendo um pouco sobre vinhos, influência de alguns amigos de onde estudo francês. Temos até plano de uma pequena confraria de degustação. Ontem, eu cozinhava por aqui, para relembrar os velhos tempos que eu morei sozinho no Rio e quando me dava vontade de fazer meu próprio rango. Até a comida foi a mesma que eu sempre fiz, Capeleti com molho de manjericão, minha especialidade. E, como agora estou metido, resolvi comprar um vinho, pra melhor “harmonizar”. Nossa, eu demorei meia hora pra escolher um tinto, porque queria um com uma uva muito específica. E fiquei com medo de estar me transformando num eno-chato-xiita. Mas depois pensei, eu já sou chato, não ia mudar muita coisa. Fiquei mais tranquilho.

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E depois da minha merecida refeição self made, e meia garrafa de vinho, me ligam da empresa, em pleno domingo. E pra falar que eu estava sem condições de dirigir? De qualquer forma, consegui me livrar por um tempo de ter de ir lá. Porque hoje durmi muitio mal. Meu irmão inventa de cozinhar às 4 da manhã, e fazer qualquer coisa no liquidificador. O que me deixou muito, mas muito puto, a ponte de eu ter que me segurar, socar a parede e contar até mil pra não ir lá arrebentar os dentes dele.. De novo, aliás, porque já fiz isso há alguns anos, quando éramos mais novos. Pro meu dia ser completo, me ligam de novo hoje, às 10 da madrugada, do trabalho. Não teve jeito, tive de ir lá dar uma olhada. Pleno feriado. E peguei chuva, muita chuva. Minha vida é ou não pura diversão?

I’ll pay you back with interest (*)

 

E eu passei por este martírio por quase dois anos. Quando estava no Rio e montei minha própria empresa, nem tinha idéia do que eu ia encontrar. Só sei que ela só me fez muito mal, com o convívio junto a pessoas que eu passei a detestar amargamente. E para sair da sociedade, dado meu estado completo de desespero, eu resolvi não acionar a justiça pra receber minha parte e concordei em devolver aos investidores o que tinha recebido até então. E o que recebi foram o equivalente a oito meses de trabalho. E nada do meu esforço foi levado em consideração, nem pelos meus sócios nem pelo investidores. Isso doeu e me magoou muito, mas eu concordei com a condição de nunca mais ver estas pessoas na vida. E foi um bom dinheiro que eu perdi. Todo o meu patrimônio que tinha guardado ruiu. Também, imagine ter que pagar o equivalente a um Mac Book Pro todos os meses por quase dois anos. Poderia ter feito muitas coisas com esta grana. Já teria comprado um apartamento pelo menos, ou investido. Mas eu não sucumbi a estes revéses, eles não me atrapalharam nos planos. Consegui mesmo assim me autofinanciar uma temporada na França, não deixei de viajar para onde quis.

Mas este foi o último pagamento. Agora vou poder voltar a juntar algum dinheirinho. Essa situação me serviu de lição. Consegui valorizar melhor as amizades reais, e que eu posso correr atrás de qualquer coisa, que tudo só depende de mim. E me ensinou a ter desprezo, sentimento que eu nunca cultivei na vida. Pois é, isso tudo deixa feridas, com cicatrizes permanentes. Isso tudo não me impediu de correr atrás, de conseguir empregos que me rendiam mais do que ganhava na minha empresa, e me proporcionou ter um olhar de fora para as pessoas de quem eu confiava. E a visão não foi das mais bonitas.

Agora novas perspectivas se abrem. Eu sei que agora o dinheiro não é tudo, e posso começar a vislumbrar trabalhar num lugar que eu goste, fazendo coisas que eu goste com pessoas que eu goste. Só me resta descobrir onde e o que.

(*) The Hollies – 1967

Escape from the weight of your corporate logo! (*)

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Ontem foi a festinha da firma. Não sei se existe nada mais deprimente que isso. Todas as chamadas confraternizações me cheiram a falsidade e tentativas artificiais de entrosar os funcionários. Eu acho que fui na maioria das que tiveram nos lugares em que trabalhei. E eram sempre as mesmas coisas, chefes muito bêbados, secretárias dando vexame, pessoas que você nunca viu te tratando com intimidade.

Ainda mais porque sempre trabalhei em empresas predominantemente masculinas. E sempre vi coisas deste tipo, dos chefões carecas e barrigudos usando todo o seu apelo econômico pra traçar as beldades, normalmente as secretárias novinhas. Não me surprendia mais quando elas apareciam depois em outro cargo na empresa, como auxiliares administrativas ou coisa parecida, e os caras justificando que elas tinham potencial e precisavam de uma chance. Sei…

Como trabalho agora em uma empresa predominantemente feminina, com a alta direção sendo de mulheres, e eu sendo responsável pelo departamento mais xingado e odiado da empresa, resolvi ir na festa ontem pra fazer as observações antropológicas de praxe. Musiquinhas breguinhas de festa, tipo aquelas que tocam em todo casamento, meninas que se odeiam no dia a dia se tratando como BFF, todas elas tentanto pagar de gatinha e pedindo pra tirar fotos fazendo aquelas poses de Orkut de quinta categoria sub-PGA, o muleque da almoxarifado se esbaldando e sendo a alegria das piriguetes, as diretoras tentando emular alguma alegria, dançando com os dedinhos pra cima (tenho que ser justo, nem todas. Eu vi minha diretora rebolando até o chão! Putz, podia ter passado sem essa). E os homens desta empresa? Bom, os que não se revelaram e foram dançar quando começou a tocar “It´s Raining Man” ou “YMCA” ficaram onde deveriam. Do lado do bar filando a cerveja e comentando sobre a mulherada maluca, potencializadas pelo open bar de caipifrutas de vodka e saquê, sabidamente bebidinha de menina.

E por que cargas d´água eu participo? Bom, relevo tudo em troca de comida e bebida de graça. E também preciso criar assuntos para ter por aqui. rsrsss!

 

 

(*) Frank Zappa and the Mothers of Invention – 1967

As far as i´m concerned they can all fall apart (*)

E sumi de novo por aqui, hein? Muito trabalho pra variar, e não tenho tido muito tempo para pensar. Minha vida está num piloto automático em que não consigo mesmo pensar, e minha dissertação continua acumulando poeira. Preciso fazer uma reimersão das minhas idéias nos meus problemas acadêmicos.

Continuando, estou viajando muito mais do que eu queria, trabalhando basicamente. Viajar a trabalho é o maior mico que há, simplesmente porque normalmente você precisa trabalhar mais por causa do tempo escasso e dos horários para não perder os voos, e no final, acaba não aproveitando nada na viagem, talvez só as paisagens na janela do ônibus ou do avião.

E amanhã viajo de novo, agora pra minha querida cidade litorânea que eu adoro, mas que os locais maltratam. Talvez reecontre os amigos, mas nunca se sabe. Os locais desta cidade adoram dar bolos, mas nem fico mais bravo,  parece que por lá isso é normal.

 

(*) Dukes of Stratosphear

To Everything Turn Turn Turn (*)

Acho que estou desaparecido por aqui. Desaparecido como no passado, em que eu trabalhava muito e não me sobrava tempo nem inspiração para este espaço. Mas aqui é um espaço de descompressão, e acho que seria muito injusto acabar com ele. Afinal, por aqui me passaram coisas muito boas, as coisas ruins ficaram no passado registrado pra eu poder me lembrar o quanto foi ruim.

Minha vida nos últimos tempos tem sido de muito trabalho braçal, mas nada que eu já não estivesse acostumado. Só não me resta tempo para sentar por aqui e escrever, afinal, além do trabalho exigente, tenho que terminar uma dissertação de mestrado, administrar as ruínas de minha vida financeira e nas horas vagas estudar francês. Se eu conseguir fazer uma postagem por semana será uma imensa vitória.

Mas o importante é que agora tenho posso contar com uma pessoa que me deixa muito feliz, só em pensar nela. E é por isso que eu continuo.

(*) Pete Seeger

Back into my life again (*)

 

E estou de volta ao mundo real. Depois de passar algumas semanas no velho mundo, mais estudando que me divertindo, e uma semana inesquecível com minha menina, estou de volta à velha e dura realidade corporativa. E com muita saudade.

E estou de volta ao mundo real. Depois de passar algumas semanas no velho mundo, mais estudando que me divertindo, e uma semana inesquecível com minha menina, estou de volta à velha e dura realidade corporativa. E com muita saudade.

(*)Spencer Davies Group

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