When I grow up to be a man (*)

Fiquei mais de um ano sem escrever nada. Ninguém mais escreve, pior ainda, ninguém mais lê, Foi pensando nisso que resolvi me disciplinar e voltar a escrever qualquer coisa, pois já que ninguém lê mais weblogs, eu posso usar este espaço como um lugar quase secreto. Poderia ser secreto, mas eu sinto uma pequena vontade interna que por acaso alguém descubra isso, acho que por isso nunca coloquei senha privada nas postagens.

Muita coisa mudou, acho que eu mesmo já mudei muito desde que comecei a escrever aqui, mudei até desde a última postagem. (Pelo meus cálculos, faz mais de dez anos que iniciei este projeto…. Olha como é bom não ter apagado tudo).

Eu estou muito perto da meia vida (espero), chegando nos quarenta anos, e acho que já perdi muito tempo refletindo sobre ela. Estou hoje num período mais de ação, de fazer e não pensar muito nas consequências, e finalmente sendo escravo de uma rotina. E isso não é ruim. Acho que me disciplinar em algumas coisas me ajudaram muito à manter minha integridade mental e intelectual.

Espero que com isso eu consiga manter alguma regularidade em minha escrita, para que eu não enferruje minha já parca capacidade de expressar qualquer coisa (sejam palavras, sentimentos, etc.) se bem que minha raiva eu expresso muito bem. (note to self, procurar um médico de cabeça aqui em São Paulo).

(*) Beach Boys 1965

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I me me mine

Estou estudando sobre obras memorialistas. Digo, tenho um enorme interesse nesse assunto depois que li algumas que me agradaram muito. Aliás, sempre gostei de ler os romances de formação dos autores, simplesmente porque apresentam algum teor autobiográfico, mas que às vezes nem tudo é verdadeiro. Gosto de biografias, mas sempre se tem aquele olhar muito parcial ou muito imparcial dependendo da abordagem. Autobiografias que eu tenho lido são muitas vezes auto-adulatórias. Por isso as memórias me agradaram tanto, pois dependem da lembrança, e por mais fragmentada que seja, sempre rendem boas histórias. E por isso eu acho que eu gostava tanto de ler blogs pessoais, que nada mais são que capítulos de memórias. Nem tudo o que você se lembra pode ser verdade, nem tudo o que existe na memória é realismo, ou um realismo fictício. Nem sei porque escrevi isso aqui. Se pensar bem, minhas memórias baseadas no que escrevo aqui são bem fraquinhas. Mas não renderiam nem um bom livro o que diga um bom conto. Sorte minha que não tenho leitores.

 

Chuchu beleza… Tomate maravilha… (*)

Estive pensando sobre esta nova fase de minha vida, que vem desde o ano passado. Muitas coisas boas aconteceram e se encaixaram depois de alguns anos de turbulência, não sei se culpa minha, mas também não vou procurar culpados. Talvez isso justifique minha ausência de vontade de escrever, afinal, o sofrimento e o desconforto ajudam a espremer a inspiração de dentro, todo escritor gosta de auto flagelo, auto ironia. Mas como não sou escritor, me permito fazer auto indulgência. Estranho como o desconforto com alguma coisa sempre te leva a fazer coisas sem sentido. Estou falando sobre aquele desconforto mental, aquele sentimento de que algo falta ou que você tem que fazer algo sobre, mas você não sabe o que. Passei por um período destes, em que não me sentia parte de nada, só saia com meus amigos porque eu achava que eles apenas me toleravam, muitas vezes saia sozinho, ia no cinema, só pra ficar longe de todo mundo. Já fui viajar sem avisar ninguém só porque eu não queria estar onde eu estava. Insanidades temporárias talvez, aquela busca daquilo que você não sabe o que é. Hoje olhando para aquela época tenho impressão que era só idiotice mesmo. Talvez tivesse muito tempo para pensar, digo, não tempo livre, mas muita informação pra ser digerida. Eu acho que só melhorei um pouco quando resolvi não pensar mais, e para isso resolvi não ir procurar o médico da cuca, afinal não queria pensar sobre nada. Talvez agora seja a hora oportuna de retornar, ainda mais que tenho um apoio incondicional de todos que gosto. (Aliás, isso é uma vantagem de se casar com uma psicóloga). Acho que tudo melhorou quando resolvi não remoer mais nada, tentar ser um ser insensível, cuidar de minha saúde física, não me preocupar com o fracasso. Eu acho que isso me motivou a tentar ver o mundo com outros olhos, não focar loucamente só no trabalho, aliás, deixá-lo em um plano menos importante que eu mesmo. Algumas outras coisas contribuíram, depois de me matar estudando só pra ter um diploma de engenheiro, fazer pós graduações, mestrado e o escambau,pensar pra que vai servir tudo isso além de alimentar minha vaidade, afinal todo acadêmico é vaidoso. Resolvi fazer letras e estudar literatura, dar algumas aulas. Acho que acabei me encontrando, não que eu agora faça uma carreira na docência, mas finalmente sinto enorme prazer em estudar, e acho que deveria ter feito isso antes. Nem sei a importância de escrever tudo isso agora, mas tenho que colocar em algum lugar, que seja aqui. Ninguém irá ler mesmo…

Stars

Estou acordado há quase 24 horas agora.. Minto.. Dormi umas 2 ou 3 horas no ônibus interestadual que pego entre meu estágio e meu emprego.

E neste estado de não dormir e não acordar de semi dormência zumbi, tendo que trabalhar, me sinto de volta a circa 2008. Me veio esta música na cabeça o tempo todo no ônibus, e eu me lembro que como eu era indie. Fiquei indie depois de ficar velho. :/

Só sei que nunca mais ouvi falar desta banda. Nem mais escutava nada dela faz, tipo, uns cinco anos.

Não sei porque compartilhei isso. Acho que para manter alguma disciplina e publicar alguma coisa aqui, e ajudar nas estatísticas quantitativas.

São São Paulo, Quanta Dor (*)

No último dia 25 de janeiro, foi mais um desaniversário desta cidade. E desde que voltei a morar aqui, há sete anos, eu não me senti mais um paulistano nato, nunca mais tive o sentimento de pertencimento de antes, até porque não havia vivido em nenhum outro lugar para comparar. Se bem que acho que muitos que possuem aquela coisa ridícula de “orgulho Paulistano” também não.

Acho que foi porque depois que voltei, sempre tive em mente sair daqui, sair da casa de meus pais para outra cidade, outro estado quem sabe. Mas não me via mais morando aqui. Que ironia ter agora que ficar até pelo menos eu me aposentar…

Depois de três anos morando no Ridijanero, comecei a observar a cidade com o olhar de um forasteiro. Comecei a reparar em sotaques, comecei a me incomodar com eles, me incomodar com as pessoas e reparar nos hábitos em geral. Só penso em citar estas coisas aqui porque eu acho que paulistano nenhum leria isto aqui mesmo, e eu sei que vou me divertir daqui a alguns anos quando reler e lembrar de todas estas presepadas.

Paulistanos gostam de filas.

Paulistanos gostam de goumetizar tudo pra se sentirem superiores.

Paulistano gosta de reclamar de dois assuntos, tempo e trânsito. Aqui chove muito. Também é muito seco. É muito quente e faz temperaturas glaciais, e tudo pode acontecer no mesmo dia, o que faz com que eu sempre ande com guarda chuva e um agasalho guardado em algum lugar no carro. Além de termos uma crise hídrica em andamento nos últimos meses. É assustador o que pode acontecer com esta cidade, com nossas vidas daqui a alguns meses. Mas eu vejo que a mídia exagera um pouco e a visão que o resto do Brasil tem é bem equivocada. Tem falta de água sim, mas não estamos morrendo de sede, comprando garrafinhas de água pagando fortunas, não deixamos de tomar banho nem nada. O que eu posso dizer por experiência é que, com a diminuição da pressão da água, pelo menos no meu prédio, as pessoas estão economizando mais, a água da caixa não esvazia de repente, e dura até o dia seguinte quando a pressão volta ao normal. O que eu vejo é todo um alarmismo tentando tirar uma casquinha política da situação, e olha que eu acompanho isso bem de perto. Quanto ao trânsito, sem comentários. São 20 milhões de pessoas na região metropolitana. E um sistema de transporte falido. Tempos várias faixas de ônibus criadas na cidade, tirando faixas de carro, piorando o trânsito, para priorizar os coletivos. Mas a frota continua a mesma, ineficiente, e superlotada, e também congestionada. Ou seja, piorou a vida de quem anda de carro e ônibus. Eu vejo gente principalmente de fora daqui que diz que Paulistano é individualista, não pensa no próximo. Mas, depois de anos pegando ônibus e trem lotados e perdendo tempo e paciência num transporte ineficaz, quando você tem condições de sustentar um carro, ou seja, pagar imposto e combustível, você preferiria sofrer em pé, apertado, ou no seu carro, pelo menos sentado ouvindo música? Eu preferiria trabalhar perto de casa e ir a pé, mas isso é uma utopia, ainda mais que é cada vez mais difícil ter um lugar pra morar aqui, ainda mais perto do trabalho.

Paulistanos, se agridem cortesmente, morrendo a todo vapor.Se amam com tanto ódio. Se odeiam com tanto amor.

(*) Tom Zé 1968

Answers? Questions! Questions? Answers!

Confortável? Não.

Esquisito? Sim.

Ainda se lembra? Sim.

Triste? Um pouco agora. Já foi mais. Um pouco de mágoa talvez.

Cabe? Não.

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Perdoa? Sim.

Nothing is easy though times gets you worrying my friend (*)

.. it’s OK.

Começar a escrever novamente é meio difícil, depende de disciplina, mas aos poucos vai ficando viciante. Nem que seja para não dizer nada, como faço agora. 🙂


Eu já retornei ao trabalho, então estou na tentativa de estabelecer um hábito novamente. De trabalhar, obviamente, e de esquecer um pouco do trabalho aqui. E acho que desta vez não vai ser tão difícil. Longas horas de trabalho, reunião em que não tinha horário pra terminar, janta com delivery na sala de reuniões para ganhar tempo…. Nunca mais. Engraçado que as pessoas não valorizam nada este tipo de esforço, principalmente no tipo de mercado em que eu trabalho, ainda mais nessa cidade, ainda mais nesta cultura. Como se fosse obrigação vender a alma para a empresa, afinal você recebe salário, alguns tem até o privilégio de PLR, etc… Morram todos. Perdi um pouco de fé no mercado e nas empresas há algum tempo, quando via que meu árduo trabalho era ridicularizado, e que achavam mais que obrigação eu me submeter a horários e dias de trabalhos hercúleos. Acho que perdi um pouco deste respeito às corporações quando estudei culturas organizacionais no mestrado. Tudo errado, tudo uma aberração. (Mercy Max Pagès, Obrigado professor por nos obrigar a assistir The Corporation. Tem no tubo: https://www.youtube.com/watch?v=Zx0f_8FKMrY) 😦


Aqui tudo é mais leve, menos pressão, menos exigências, as pessoas me parecem mais felizes e cordiais. E ainda me dá tempo de dar uma estudadinha. Além de não ter que praticamente ir pra outra cidade, viajando 40 km e pagando pedágio. Vinte minutos e estou no trabalho. 😀


Agora sobra tempo para pensar. O que é perigoso, às vezes quando estamos atolados correndo atrás de prazos, não tempos tempo de filosofar, e o tempo passa tão mais rápido. Mas, nada é tão fácil mesmo. :/

(*) Jethro Tull 1969

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